terpsicore

pela divulgação e crítica da arte transdisciplinar do Movimento.


Música Antiga, Cidade [re]Nova[da]

Música Antiga, Cidade [re]Nova[da]
[escrito 04/09/12]
Terminou neste passado dia 2 de Setembro aquele que é considerado um dos maiores e mais proeminentes festivais de música antiga do mundo: o Festival de Música Antiga de Utrecht, nos Países Baixos (mais conhecido como Oude Muziek Festival Utrecht). A 31ª Edição têve início a 24 de Agosto e contou  com mais 50.000 ouvintes, num total de 190 concertos, palestras e workshops espalhadas por toda a cidade.

Utrecht, uma elegante e charmosa cidade neerlandesa de raiz medieval, serviu como pano de fundo para mais uma série de concertos dedicados à música antiga, também conhecida por música historicamente informada ou musica composta antes de 1800 (nas palavras do maestro Ton Koopman). Todos os anos na última semana de Agosto, afluem a esta cidade músicos, construtores de instrumentos, teóricos e amantes de música dita antiga. As muitas igrejas de índole protestante da cidade e.g. Domkerk, Jacobikerk, Pieterskerk, Geertekerk e a principal sala de concertos Vredenburg Leidsche Rijn, tornam-se os principais palcos de uma série de concertos de lotação quase sempre esgotada. O festival apresenta-se em formato maratona musical: as prestações a solo abrem e encerram o dia, com concertos pelas 13h e 00h, respectivamente. Os pratos fortes servem-se pelas 15h, 17h, 20h e 22h30, onde alguns dos mais prestigiados grupos de música de câmara e orquestras europeias apresentam os seus programas, este ano dedicados ao período entre Sweelinck e Bach, dois dos mais conhecidos compositores do estilo barroco, na Europa Central. De destacar também o Oude Muziek Markt, mercado especializado em instrumentos antigos e o simpósio ‘Much of what we do is pure hypothesis: Gustav Leonhardt and his Early Music’. Este último evento procurou homenagear um dos arautos do movimento que marcou o início da música antiga na Europa: o cravista Gustave Leonhard, falecido em Janeiro deste ano.

Uma das particularidades deste festival é a programação paralela - fringe - que procurar divulgar ensembles jovens no caminho da profissionalização. Estes concertos, de entrada gratuita, são uma dádiva do festival à cidade e um motivo para a descoberta da mesma, pela promoção de localizações inusitadas: um café, um pequeno teatro, um átrio de um museu, uma casa privada, um claustro… É o apanágio da ideia de gezelligheid, que promove o conceito de acolhedor, tão próprio da cultura neerlandesa.

Outra importante nota é a presença portuguesa. A programação principal este ano contou com três flautistas portugueses: Marco Magalhães e Filipa Pereira (Royal Wind Music, Países Baixos) e Tiago Simas Freire (Capriccio Stravagante, França). O tenor portuense Fernando Guimarães estêve também presente com Les Muffatti (Bélgica); A programação fringe contou também com Fernando Miguel Jaloto (cravo), Joana Amorim (traverso), Filipa Meneses (viola da gamba), José Gomes (fagote) e Maria Bayley (clavisimbalum).

Um dos pontos altos do festival estêve a cargo de Masaaki Suzuki & Bach Collegium Japan que  presentearam o público com uma selecção de Magnificats de Zelenka, Kuhnau e Bach. O concerto de encerramento ficou a cargo de Collegium Vocale Gent, sob a direcção de Philippe Herreweghe. Num panorama cultural que também nos Países Baixos atravessa fortes cortes orçamentais - mais de 70% das instituições culturais perderam apoio estatal este ano - é uma lufada de ar fresco ver que o Festival de Música Antiga de Utrecht continua a remar contra as vicissitudes políticas europeias actuais.

Daniela Tomaz
Licenciada em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto I Bachelor of Music in Early Music, Hogeschool voor de Kunsten Utrecht, Netherlands

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II ENCONTRO INTERNACIONAL DE DANÇA ANTIGA

II ENCONTRO INTERNACIONAL DE DANÇA ANTIGA
Douro – Portugal
2009/07/15 – 2009/07/21
Espaço Sacramento

CURSOS PRINCPAIS
Cecília Grácio-Moura
A) Barroco francês / French baroque – nível intermédio / intermediate level
10h00 – 13h00, todos as manhãs / every morning

Diana Campoo
B) Barroco francês / French baroque – nível iniciante / beginning level
10h00 – 13h00, todas as manhãs / every morning

Maurizio Padovan
C) Renascimento italiano / Italian renaissance
15h00 – 18h00, todas as tardes / every afternoon

ATELIERS
1) Barroco espanhol /
Spanish baroque
18h30 – 20h30, dias 16 e 17 / days 16 and 17

2) Os tratados de dança no barroco português / The dance treatises in the portuguese baroque
18h30 – 20h30, dias 19 e 20; days 19 and 20


PREÇOS / FEES
taxa de inscrição / enrolment fee – 15 €

UM curso / ONE course – 150 €

DOIS cursos / TWO courses – 180 €

Participantes num curso principal: a entrada é gratuita nos dois ateliers / Participants in a main course: free entrance in the two ateliers

Um atelier / one atelier – 30€

Dois ateliers / two ateliers – 60€

O programa inclui também uma visita às Caves do Vinho do Porto (grátis) e um jantar convívio na última noite (20€ p/ pessoa)
The activities also include a visit to the local Poro wine cellars (free of charges) and a farewell dinner in the last evening of the event (20€ per person)

número mínimo de participantes por curso / minimum aplications per course – 10

data limite de inscrição / deadline for aplications – 2009 / 06 / 20


ALIMENTAÇÃO / MEALS
O espaço de realização do encontro está inserido numa área com grande oferta de restauração (5 – 10€)
The workshop will be held in a well served area, where meals can be easily achieved with 5 – 10€


ALOJAMENTO / ACCOMODATION
I) Colégio de Gaia / Gaia School Residence
quarto duplo ou múltiplo / double room or multiple – 10€
(a marcação será feita pela organização do curso / the reservation will be done by the organisation of the event)
(30 min. a pé / 30 min. walking; 15 min. de autocarro / 15 min. by bus)

II) Hotel Clip
Quarto single / single room – 50€
Quarto duplo / double room – 60€
(
www.cliphotel.pt; sales@cliphotel.pt; tel. (+351) 22 374 59 10)
as reservas devem referir o evento “Encontro Internacional de Dança Antiga”

all the reservations must refer the event “Encontro International de Dança Antiga”
(30 min. a pé / 30 min. walking; 15 min. de autocarro / 15 min. by bus)

Ambos os alojamentos incluem pequeno-almoço / both accomodations include breakfast


TRANSPORTE / TRANSPORTATION
cada via
gem / each travel – 0,85€


FICHA DE INSCRIÇÃO / ENROLMENT FORM
Nome /
name

Morada / address

Código postal, cidade, país / postal code, city, country

Telefone / phone number

Endereço electrónico / email

Experiência em dança / dance experience

Para inscrição e informações, por favor enviar ou contactar:
For enrolment and information, please apply or contact:

Catarina Costa e Silva
Rua Gonçalo Sampaio, 164, 2º DTO
4150 – 365 Porto

email
catarinacostaesilva@gmail.com
telefone / phone +351 22 017 34 80
telefone móvel / mobile phone +351 91 841 91 30

IBAN / PT50 0033 0000 0001 0737 7293 6
SWIFT / BCOMPTPL
No / at Millenium BCP, Portugal
Até / until 2009 / 06 / 20

http://www.terpsicore-pt.blogspot.pt.com/

apoio / supported by
GINASIANO Escola de Dança


Afro contagiante

É já amanhã pelas 23h00, a apresentação das oficinas de dança e e percussão africanas desenvolvidas por Eva Azevedo e Nuno Rebelo (Xibata) ao longo deste ano no espaço Contagiarte. Uma boa oportunidade para se conhecer alguma da sonoridade da costa oeste de África. Segue-se uma afro-jam-session (é parecido com as do jazz, mas um pouco mais turbulento) que é destinada a : 
Para quem não conhece e quer conhecer..
Para quem já ouviu falar, mas tem vergonha em experimentar:)
Para quem dança, mas sente algum embaraço em acompanhar o movimento frenético-louco da música;
para quem ama o ritmo!
para quem ama áfrica...

Todos portanto.
até lá,
d.

1) a imagem foi retirada da newsletter d'o espaço Contagiarte;

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CdD ou a Casa da Dança


No último dia do Festival Mestiço, a decorrer na Casa da Música no passado fim-de-semana, foi a vez do calor negro de África se propagar pelo betão branco do meteorito portuense.

A noite começou pelas 22h00 ao som dos frenéticos Timbila Muzimba (Moçambique), numa actuação entre o Som e o Movimento, tal como eles o descrevem no próprio nome: "Timbila", (singular m'bila) são os xilofones do povo Vachopi, que habita o sudeste de Moçambique (...) "Muzimba" palavra chopi que significa corpo. 1)
Dos Extra Golden (Quénia e Estados Unidos) ficou mais a ideia de concerto-comentado do que o calor do espectáculo, mas ressalva-se o infortúnio do grupo que se viu no dia do concerto despojado das suas bagagens 2). De qualquer forma, o cantor-narrador deu o mote: "Dos muitos anos que dou concertos - e já são muitos - fico sempre fascinado com a forma como as pessoas conseguem dançar nas cadeiras"... Dito e feito. O desafio foi aceite: O início da actuação da dupla Amadou & Mariam (Malí) deu início à rebelião...e a ocupação tímida dos dois corredores laterais de acesso foi esvaziando o coração do auditório, acabando com um terço dos ouvintes em palco...num espectáculo que findou já pelas 02h00.

Que diria o Rem (Koolhaas) 3) desta nova Casa da Dança?
Que diria o Renz (Luxembourg) 4) ao ver as pessoas encostadas aos seus difusores de madeira..ao ver agora a canópia de palco recolhida sobre uma trama metálica de projectores...?

A obra tão estática afinal também se mexe...

1) in site oficial dos Timbila Muzimba;
2) O vôo TAP custou-lhes os próprios instrumentos. Esperamos por uma próxima vez menos atribulada...
3) Arquitecto da Casa da Música;
4) Acústico da Casa da Música;

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La Doulce Mémoire du Agréssive Mouvement

"Ni kan tiyen, sewa tiyen. Ni sewa tiyen, kantiyen"
Sem música não existe alegria; sem alegria não existe música. 1)

Doce é a Memória telúrica, de evocação das nossas raízes 2) , sejam elas quais forem, que nos dizem a forma do movimento...quasi sem pensar.
Agressivo o Movimento, quando quer ser igual-competir com o ritmo diabólico da música.
Foi 2006, o ano em que a sorte-destino fez com que fosse ao espaço Contagiarte no Porto, espreitar uma das aulas de dança tribal africana da Eva. Era a última aula de Junho no Estúdio-Anfiteatro..e a magia do movimento que brotava das três sementes - Dora, Mónica e Vanessa - germinou cá dentro. No outro ano fui lá experimentar, e a paixão por esta dança-que-deseja-apenas-sair-de-dentro-de-nós-qual-exorcismo-da-alma-cansaço-do-corpo...foi crescendo.
Contrariamente ao que possamos pensar, a dança tribal africana é bem diferente da dança a pares como o kuduru ou kizomba: uma dança oriunda da África negra 3) das terras de Guiné-Conakry que evoca os rituais ancestrais da caça, pesca, da guerra, da sedução, mas que estranhamente se assemelha ao exercício do movimento no Moderno e Contemporâneo. (?)
Existe acima de tudo Libertação: dos códigos clássicos, dos códigos pessoais. Não existem espelhos, pés esticados, frentes..Existe uma atracção à terra, movimentos em roda 4), mas acima de tudo, Alegria! Existe quebra de preconceitos na imagem do movimento, já que o movimento mais belo não é aquele que é treinado, decorado pela Mente...mas sim o que surge do Corpo. E para isso, toda a aprendizagem não é mais do que um processo de desconstrução, de purificação, de anos e anos de regras anti-naturais.
Mas ser natural, aprende-se? Talvez seja algo que exista ou não exista...que não se possa aprender (?) Talvez seja algo que possamos descobrir, mas que tenha de existir já..Talvez seja de facto algo que possa mudar em nós. Acima de tudo precisamos de dançar para nós próprios, sem nos preocuparmos com a Imagem projectada do Movimento.
Conheçam Mamady Keita e Famoudou Konate, dois famosos djembefola (djembefola=aquele que dá voz ao djembe). Conheçam e apoiem Os Semente e Dyabara, dois projectos fantásticos aqui do Norte que partilham, motivam e comunicam a paixão por África.

Obrigada Eva e Xibata por esta fantástica viagem africana de aprendizagem tanto na Dança como na Música.



1) provérbio Malinké in www.ttmusa.org; segundo o Portal das Comunidades Portuguesas são 3 as etnias da Guiné-Conakry: Peul 41%; Malinké 30%; Soussou 15%;
2)Porque o Movimento dito antigo, provém de todos os continentes...As tradições que chegam até nós pela via do manuscrito ou da palavra falada são igualmente maravilhosas. E se calhar por isso a música dita antiga e a música dita tradicional comunicam o mesmo, com linguagens diferentes.
3) África negra é o nome da região do continente africano que abrange os países situados abaixo do deserto do Sahara.
4) "A Dança" , 1910, de Henry Matisse, evoca os ritos ancestrais e é inegável a inter-influência com os temas da coreografia de Nijinsky para a "Sagração da Primavera", de Stravinsky, de 1913.

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la Agréssive Mémoire du Doulce Mouvement

Algumas semanas de digestão após o curso em Paris e ocorre-me falar apenas de Memória.
Memória do Movimento, Memória da linguagem do Movimento, Memória no espaço... Acima de tudo foi um trabalho de Memória.
Memória e enraízamento de uma linguagem que nos é estranha, porque a não praticamos todos os dias, seja ela do Renascimento italiano ou do Barroco Francês.
Memória da linguagem no corpo, como primeiro passo, primeira etapa a conseguir, para podermos chegar ao prazer da interpretação, do estilo, do gozo da Dança enquanto movimento espontâneo...

Mas quem disse que dançar é um movimento espontâneo? (eu?) A Dança é frequentemente associada à espontaneidade, ao físico. E é bom - muito bom - sentir o movimento jorrar tão simplesmente de um ritmo, qual purga da mente, ausência de pensamento. Mas enquanto exercício de criatividade e evolução, enquanto interpretação coreográfica, ela é seguramente intelectualizada, racionalizada. Nunca o senti tanto quanto nesta semana. Coreografia é certamente um conceito paradigmático, já que demonstra a possibilidade da apropriação de um movimento por outro que não o seu criador: o intérprete...?

Memória do Movimento
A Memória traça assim uma estranha fronteira entre as duas artes, do movimento do Som e da Imagem. Não é possível dançar, segurando uma partitura.(?) 1) E muitas vezes não se consegue tocar, senão com partitura. A ditadura da partitura...Existe essa ditadura certamente na escrita instrumentisticamente definida do Barroco, mas não na música renascentista (será?): na polifonia, na instrumentação, na estrutura. Quanto de notação e quanto de improvisação? É na estrutura de uma dança renascentista como o Passo Mezzo, que nos apercebemos da necessidade de - perfeita - sintonia entre músicos e bailarinos, na imediata identificação do movimento com o momento, musical. 2)

Memória no Espaço
Sendo a notação uma das melhores formas de Memória, não fará sentido a dança dita antiga sem o conhecimento e interpretação dos tratados..Il Bailarino e La Nobiltá del Dame de Caroso; a escrita de R. A. Feuillet. Nunca ouvi de facto falar em notação Caroso, talvez porque Caroso descreve as danças através da enumeração escrita de passos, sob a forma de pedálogo... 3) Com a orientação espacial de R. A. Feuillet, na indicação do percurso dos bailarinos e a decomposição dos passos efectuados pelos pés, estamos já diante um sistema de notação. 4) A interpretação das palavras de Caroso, pela ausência de notação espacial explícita, enriquece o trabalho criativo sobre a dança do renascimento. Coloca-se assim, estranhamente, muito próxima do exercício contemporâneo..

O espaço à Improvisação e o espaço à Memória são fundamentais no trabalho artístico; porque é ilusória a criação contemporânea sem regras...

Até breve.

1) Mas é interessante que o façamos numa aula de Barroco Francês...vidrados pelo hieroglifismo de feuillet e extasiados pela descoberta de uma nova forma de escrita.
2) Um dos pontos altos do curso, foi sem dúvida a reunião música-dança. Isto porque houve a oportunidade de dançar as variações do Passo Mezzo com acompanhamento de alaúde por Pascale Boquet, entrando um pouco na raíz da prática musical do Cinquecento italiano.
3) Bruna Gondoni, citando Caroso. Cuidado fisicamente com este diálogo com os pés...não-se deixem enganar pela suave aparência das danças da renascenca e do barroco, já que o desgaste físico das articulações é notório. Usem calçado com um pouco de tacão, mas confortável e evitem dançar em espaços que não possuam caixa de ar!
4) oposition, é o nome dado ao trabalho de torsão sempre presente na postura do homem barroco. Basta lembrarmo-nos de qualquer uma das estátuas deste periodo. Daí que apenas o trabalho dos pés fosse alvo de notação: todo o trabalho de braços e tronco regia-se por esta regra de estilo.

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Aviso prévio: a fruição deste pequeno artigo, é mais bem servida com a leitura prévia do press-release da A Imagem da Melancolia, preferencialmente acompanhada por um tinto.. Douro ou Alentejo.

O ciclo de oito concertos da A Imagem da Melancolia, vulgo aIdM, com "O Consort Português Mal Temperado" começou neste 29 de Fevereiro em Aveiro e terminou hoje no Porto, inserido numa das fases do ambicioso projecto dirigido por Pedro Sousa e Silva, ao abrigo da nova Direcção Geral das Artes. A felicitar desde já a escolha do receptáculo acústico, de indescritível beleza auditiva e visual. A Igreja de S. João da Foz "tem uma boa acústica", o que quer dizer que nela o som parece emanar daquele lugar de transepto onde estava a ser produzida, tornando o espaço - e não os músicos - o último difusor e ampliador do som: claro, definido e detalhado. 1)

1 - Flauta "de bisel" ?...
Já ouvi falarem da flauta direita, gaita, pífaro...a família das flautas doces fica definitivamente consolidada, apresentada, definida, mostrando-se ao mais alto nível instrumental. E aqui dois níveis: a apresentação como instrumento de concerto, de fruição musical, de comunicação de sentimentos (?), distinta da comunicação de conteúdos de carácter didáctico-pedagógico, no qual muitos encerram o seu valor; e a apresentação como instrumento de conjunto, capaz de se integrar em agrupamentos formados por mais do que ele próprio no narcisismo da sua audição solista, consolidando assim uma massa sonora de um quase incomparável nível musical. As questões de afinação, fazem toda a diferença, como diria o mestre Pedro, dos anjos para a tortura.

2 - "A Flauta de bisel não é um órgão"
A flauta de bisel, com o seu consort mal temperado, é muito mais do que um órgão. E aqui, novamente nas palavras do mestre, embora um órgão não seja mais do que um conjunto de flautas, de diferentes tubos, à flauta acresce o grande poder da desmultiplicação. Se no órgão, cada tubo é uma nota, na flauta, cada flautista domina várias notas sucessivamente, acrescendo a dinâmica (uma nota no órgão não tem variação na pressão do ar) e a articulação (uma nota no órgão tem sempre a mesma expressão no ataque). Não imagino que o órgão criasse melhor imagem que aquela proposta pela aIdM na Batalha de Pedro de Araújo. Não consigo também explicar a emoção sentida naquele primeiro acorde do Primeiro Tom.

3 - A flauta "transversal" é muito mais bonita do que a flauta "direita".
Desenganem-se. Para isso recomendo a visualização deste espectáculo (agora, não sei bem para quando?) O movimento de um flautista de bisel consegue ser muito mais sedutor do que um flautista transversal. Aliás, toda a postura e movimentação são fundamentais para qualquer instrumentista de sopro, que escapou à ditadura de outros instrumentos como o piano: "Não te mexas!!!" Eu sempre pensei que na flauta de bisel, mesmo assim, estes se confinavam a movimentos ondulantes transversais e verticais, mas com o torso paralelo e recto. Os diferentes tamanhos de tubo, associados a frequências mais graves e agudas, geram uma infindável fonte de exploração para o movimento. A sensualidade de Susanna Borsch com o seu ondeggiare oblíquo, a presença e fascinante postura de Marco Magalhães perante o seu grande baixo, os movimentos suspensivos de inicio de tom de Pedro Sousa e Silva, a discreta digitação por detrás do virtuosismo do baixo de Paulo Gonzales..À exacta coordenação auditiva na digitação, articulação, a 2, 4 ou 8 elementos, contrapõe-se uma inesgotável fonte de códigos de movimento....de expressão individual.

Não consigo evidenciar em paradigma a questão da autenticidade, que não é senão o mote de reflexão deste programa. Todas as críticas que poderão persistir à fruição deste concerto ultrapassam a técnica 2) (inquestionável) e o conhecimento (a tradução inédita de um tratado do séc. XVII, encontrado na Biblioteca Municipal de Braga com o número 964?). Estão então onde? Onde está a crítica? Será na atitude? Anacronismo versus Contemporaneidade? Tive em tempos um amigo que me dizia que não prescrutava o interesse em assistir a concertos que se reportassem a algo que não fosse escrito nos dias de hoje...3) Sempre tive grande dificuldade em lhe responder com argumentos, a algo que apenas sentia. Mas a resposta é simples: A Música que Hoje se escreve, já é passado Amanhã. Logo, toda a acção musical é por si, histórica. O Tempo aqui.....é relativo. O que é isso do..."ser contemporâneo"? Não queremos ser contra a contemporaneidade..não queremos ser uma SCA, na sua estranha pretensão do "How the Middle Ages should have been?"4) Esta relação é ainda mais óbvia quando comparando com Arquitectura:
Que arquitecto, no seu pleno juízo, intervém num edifício do século XVII, com materiais, sistemas e linguagens do séc. XVII?
A primeira é impossível e as últimas, falaciosas. A intervenção no património histórico é por si, um acto de contemporaneidade. Os elementos estão evidenciados, como descreve o mestre Pedro: a descontextualização espacial do momento musical (não existia nessa altura o conceito de "concerto"), a liberdade na interpretação (usando flautas que recriam um momento histórico posterior à sua existência histórica) e no conceito (reportório provavelmente para tecla, interpretado por um consort de flautas). O trabalho da A Imagem da Melancolia não é um trabalho de restauro, mas sim uma reabilitação arquitectónica do património auditivo...português.

Parabéns a Pedro Sousa Silva pelo rigor do Conceito e Parabéns a toda a aIdM pela Paixão e Sentimento. Pela força nesta esgotante maratona. Por nos terem trazido um momento de purga da alma, de lavagem mental, transportando-nos, ainda que por breves instantes, para um outro Mundo.

Notas:
1) Não sei se seria do lugar de onde me apresentava, (5ª fila talvez), mas as frequências mais baixas não tinham a reverberação que esperava, comparando por exemplo com a apresentação de Aveiro, no Museu da Cidade, (espaço com configuração espacial com muito menor volume de ar). Claro uma reverberação exagerada prejudicaria a definição musical;
2) A afinação é o âmago técnico e o desafio para esta instrumentação de sopros a 8-9 vozes. Após uma rodagem de reportório extensiva, a simbiose entre os diversos elementos era notória e a afinação irrepreensível aos meus ouvidos;
3) Um grande pormenor, é que ele é arquitecto;
4) Para saber mais sobre a SCA, Society for Creative Anachronism, ler o artigo publicado anteriormente sobre Fabritio Caroso;

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Fabritio Caroso na SCA Renaissance Dance Homepage

Isto do mundo virtual, do acesso word wide web pode ter tanto de assombroso como de assustador; de uma informação partimos, qual presos a uma liana, de árvore em árvore, muitas vezes para chegarmos a parte nenhuma...pois como todos sabemos, muito conhecimento (isso existe?) é conhecimento algum.
Numa destas deambulações - ditas de investigação - para nos armarmos de um maior conhecimento para a realização do estágio de dança em Paris, e nomeadamente pesquisando o repertório da renascença italiana a ser ensinado por Bruna Gondoni, deparei-me primeiramente com toda a divulgação electrónica do facsímile integral dos dois tratados de Fabritio Caroso: Il Bailarino, de 1581 e Nobiltà di Dame de 1600, que é tida como uma 2ª edição melhorada do primeiro. A SCA Renaissance Dance Homepage disponibiliza estes documentos gratuitamente online, assim como um trabalho de tradução, vídeos e outra informação relacionada. No site, são indicadas claramente as fontes: Il Bailarino, é resultado da digitalização do Broude Brothers facsimile, publicado nos E.U.A em 1967 e Nobiltà di Dame, provém da US Library of Congress. 1) A fonte impressa de referência deste primeiro tratado de Caroso é da autoria de Julia Sutton, numa edição publicada em 1995 pela Dover: "Courtly Dance of the Renaissance".

1) Segundo este mesmo site, nos Estados Unidos, os facsímiles não possuem copyright. Os direitos de "cópia", de transmissão, entram no complicado reino da propriedade intelectual e do direito de autor. Será que então, tudo o que não é editado, que é tal-qual-o-original (fac símile?) pode ser divulgado por alguém que não o seu autor? O direito de autor impede a transmissão não autorizada até 75 anos após a morte do seu autor..No caso da edição dos Broude Brothers (será mais do que uma mera digitalização de um facsímile?) ser europeia e esta divulgação ser em contexto europeu, seria legal esta retransmissão?

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Stage de danse baroque et renaissance_Paris 2008



Realiza-se de 25 a 29 de Fevereiro de 2008, o curso de danças antigas da associação Les Fêtes d'Hébé, em Paris. Terá enfoque no renascimento italiano, com Bruna Gondoni e no barroco francês, com Cecília Grácio Moura. Os cursos estarão também divididos por níveis, de acordo com a formação e conhecimentos de cada participante. Será abordado o segunte reportório:

Baroque

Le rigaudon d'Angleterre - contradança de 1712.

La Royale - L.G. Pécour, 1713 com música de J.B. Lully (Ballet de la Naissance de Vénus). Coreografia composta por Sarabande seguida por uma Bourrée.

Renaissance italienne

"Passo e Mezzo" - Fabrizio Caroso, apartir dos tratados Il Ballarino, Venise (1581) e Nobilta di dame, Venise (1600).

A Terpsicore vai lá estar. 
Sera certainement un vraie divertissement!

Mais informações em:
fetesdhebe

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Dido and Aeneas, Henry Purcell

Foi já no dia 1 de Dezembro, a apresentação da ópera"Dido e Eneias" no Auditório Municipal de Espinho, pelo grupo La Nave Va, com direcção musical e artística de António Carrilho.1)

Experienciar esta obra de Purcell 2), é sempre um atentado aos sentidos. E há tanto a dizer sobre a peça..que ela quase nos emudece. Este encanto tem uma raiz que me é muito querida, a transversalidade artística - na música e na dança. Não sei aqui o que vem primeiro..se o encanto pelas inúmeras danças que a obra contempla, se os momentos musicais que ela proporciona.

Esta relação da obra com a dança, podemos dizer que é historicamente informada 3), embora ela seja alvo de inúmeras recreações coreográficas 4). Uma das mais emblemáticas recreações musico-coreográficas foi sem dúvida a da coreógrafa alemã Sasha Waltz, levada a cena no CCB em Março deste ano e que contou com a Akademie für Alte Musik Berlin. Abaixo apresenta-se um dos excertos iniciais da obra, desta coreógrafa, no ano de estreia, 2005.

A relação com a música é....inebriante. Por isso, mesmo admirando criações mirabolantes como as de Sasha Waltz, com bailarinos debaixo de água, etc....esta obra tem um fascínio musical, que Comunica, mesmo com a ausência de movimento. Com isto quero dizer..que uma versão concerto, sem qualquer exaltação de figurino, cenário..ela é de igual forma (ainda mais?) soberba. Faz então com que todas as formas de encenação literal..soem a falso. O bosque, os marinheiros, as bruxas, as demasiadas personagens que o libreto descreve; não precisamos de narrações, de arbustos, de projecções de imagens..Precisamos dos músicos enquanto músicos, dos cantores enquanto cantores, que só por si, fazem estremecer. Quem não conhece, recomendo vivamente..a audiçao de toda a obra. O lamento de Dido, "when i am laid o earth" é notoriamente perturbador:

When I am laid in earth, may my wrongs create
No trouble in thy breast,
Remember me! but ah! forget my fate.



Parabéns a António Carrilho pela rigorosa direcção musical e parabéns a Sónia Alcobaça pela fantástica interpretação enquanto Belinda e 2nd Whitch.



1) Para informações sobre os seus intérpretes, vd. auditoriodeespinho
Sobre La nave va ensemble barroco, vd. lanavevaensemblebarroco ; sobre o Grupo Vocal Olisipo, vd. grupovocalolisipo

2) Para uma pequena nota biográfica vd., guiadamusicaclassica

3) Vd. "Dance Mouvements" in http://www.bbc.co.uk/dna/h2g2/alabaster/A425909

4) Esta ópera foi também apresentada anteriormente em 2003, no Porto, com direcção musical do Maestro Eugénio Amorim, encenação de Jane Davidson e coreografia de Catarina Costa e Silva, vd cienciapt.info/pt

5) Mais informações em sashawaltz.de


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Findou a semana passada em Lisboa, a 2ª edição do Curso de Encenação de Ópera, inserida no Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística. Na noite do dia 29, têve lugar na Sala Polivalente da Fundação Calouste Gulbenkian, a apresentação de dois dos trabalhos. Em cena estiveram as peças de génese histórica mais antigas:"Agrippina Condota a Morire", (1707-1708) de G. F.Haendel e "Il Combattimento di Tancredi e Clorinda" (1624) de C. Monteverdi.

O género cantata, da primeira peça, onde a voz solista é acompanhada por um ensemble de cordas, é tido mais como uma cena extraída de uma ópera, do que propriamente uma "ópera" e chama para si todo um nível mais intimista, longe do buliço das peças apresentadas nos grandes teatros. Já a segunda peça, como madrigal, abraça o género de uma composição musical escrita sobre um poema. Neste caso, a obra insere-se no 8º livro de madrigais de Monteverdi, sob o nome, Madrigali guerrieri et amorosi. A ênfase dramática do texto - extraído da epopeia Gerusalemme liberata, de Tasso - aproxima-a mais do género audiovisual em questão. 1) E nestes dois momentos-génese da ópera, duas abordagens opostas:

Cen(a)-ografia versus En-cena-ção

"Cena: Termo proveniente do grego “skêné” referente à tenda onde os actores trocavam de máscara ou de roupa e que actualmente corresponde ao teatro e aos locais destinados aos actores. Cena provém também do latim scena ou scaena a que correspondem hoje as palavras referentes ao meio teatral (teatro, arte dramática, espectáculo, actor)." 2)

Porque - quantas vezes por dislexia mental freudiana? - proferimos cenografia em vez de encenação? Embora possuam a mesma génese etimológica, dela derivam dois conceitos opostos. Em traços rudes poderíamos talvez dizer que, enquanto uma se apresenta como arte que domina o espaço, a segunda seria a arte que domina o movimento..o Tempo?

"A encenação consiste numa apresentação, numa leitura possível entre outras, num ponto de vista particular, neste caso do encenador, não negando mas participando da multiplicidade do sentido. É uma arte complexa e difícil porque trabalha com os homens e as coisas (colectiva ou isoladamente), evocando tanto o aspecto ou os caracteres físicos dos seus variados elementos, como o seu papel moral, o seu toque pessoal e especial no conjunto definido e harmonioso da acção.(...) Por outro lado, ao transformar em espectáculo um texto escrito, a encenação transpõe todo um mundo de imagens conceptuais para recrear forma, movimento, som e cor."2)

Se por um lado, em Agrippina, temos a ênfase no Espaço, no estático, na cenografia, dada a espectacularidade da cena montada em redor da solista, em Il Combattimento, temos a ênfase no Tempo, na acção, encenação, em torno dos dois guerrieri amorosi. Então primeiramente diria:

Parabéns a Pedro Ribeiro pela concepção do Espaço e parabéns a Catarina Costa e Silva pela concepção do movimento! 3)

Movimento versus Movimento

Num primeiro sentir, constatamos então que em Agrippina é o valor do estático, na valorização do espaço. Em Il Combattimento, o movimento. Mas são as duas obras, de valores diferentes, resultado de movimento! O movimento da luz e cõr de Pedro, contra o movimento dos corpos de Catarina:

"O corpo, vivo e móvel, do actor é o representante do movimento no espaço. O seu appel é, portanto, capital. (,,,) O corpo não é apenas móvel, é plástico também. Esta plasticidade coloca-o em relação directa com a arquitectura" (...) Esta arte da arquitectura, em contacto estreitamente orgânico com o corpo humano, não existindo, até, senão para ele, desenvolve-se no espaço; sem a presença do corpo, permanece muda. A arte do espaço por excelência, é concebida pela mobilidade do ser vivo." 4)

Não deixamos por isso de constatar, com um matreiro sorriso interno, que a ópera, enquanto manifestação teatral...é acima de tudo movimento. "Ora nós vimos que o movimento é o princípio conciliatório capaz de unir formalmente o espaço e o tempo. A arquitectura é, portanto, uma arte que contém, em potência, o tempo e o espaço." 4)

Por isso agora digo:

Parabéns a Pedro Ribeiro pelo movimento da luz e côr..e Parabéns a Catarina Costa e Silva pelo movimento dos corpos!

Sendo este um espaço de reflexão artística com enfoque na Dança, uma congratulação especial ao Il Combattimento, pela ousadia deste Movimento:

Ao Movimento dos corpos. A mímica da acção através dos cantores é indicada por Monteverdi, mas todo o trabalho de movimento feito ousa a fronteira desta mímica, entrando no trabalho coreográfico, que habitualmente vemos com bailarinos.

Ao Movimento da "4ª parede" de Appia. Voltando os seus intérpretes de costas, oblíquos, de frente para o público, sem qualquer vontade de reconstrução clássica do teatro, num claro gesto de contemporaneidade.

Ao Movimento dos sons. A fantástica composição de Monteverdi no stilo concitato (excitado), eximiamente adaptada por Ana Mafalda Castro (direcção musical) com a aliteração musical dos sopros e cordas numa harmoniosa dupla combatente e combativa, que detalhou a sensação de movimento. 5)

"A arte do teatro não é nem a representação dos actores, nem a peça, nem a encenação, nem a dança; é constituída pelos elementos que a compõem: pelo gesto, que é a alma da representação; pelas palavras, que são o corpo da peça; pelas linhas e pelas cores que são a própria existência do cenário; pelo ritmo, que é a essência da dança." 6)

Parabéns aos dois pela ousadia de encenar duas obras temporalmente anteriores à existência da própria figura de encenador, enquanto maestro. Todo o trabalho de encenação é em si, um bravo exercício de contemporaneidade.

"Ora uma obra de arte não pode ser criada senão for dirigida por um pensamento único" 6)

E muito mais se escreveria sobre esta ode ao movimento, que foi a noite passada de quinta-feira. Mas a vontade de comunicar, torna (um pouco) mais célere este processo de escrita. Para quando a incursão guerreira às terras nortenhas?
Cá vos aguardamos!

Ficha Técnica:

"Agrippina Condota a Morire" de G. F.Haendel

Encenação, cenografia e figurinos:
Pedro Ribeiro

Direcção musical
Ana Mafalda Castro

Soprano
Catherine Rey

Músicos
Ana Mafalda Castro (cravo)
Sabela Fonte (violino)
Miriam Macaia (violino)
Isabel Figueroa (violoncelo)
Hugo Sanches (teorba e alaúde)

Desenho de luz
Paulo Graça

"Il Combattimento di Tancredi e Clorinda" de C. Monteverdi.

Encenação
Catarina Costa e Silva

Direcção musical
Ana Mafalda Castro

Testo
Fernando Guimarães

Tancredi
Miguel Leitão

Clorinda
Lucinda Gerhardt

Músicos
Ana Mafalda Castro (cravo)
Sabela Fonte (violino)
Miriam Macaia (violino)
Sara Ruiz (viola)
Isabel Figueroa (violoncelo)
Daniela Carvalho (flauta de bisel)
Tiago Simas Freire (flauta de bisel)
Hugo Sanches (teorba e alaúde)

Cenografia
David Silva

Desenho de luz
Paulo Graça

1) Toda a informação sobre as obras foi adquirida em GROUT, Donald J. et Palisca, Claude V., "História da Música Ocidental", 1988, edições Gradiva

2) CEIA,Carlos, (coord.) "E-Dicionário de Termos Literários", http://www.fcsh.unl.pt/edt

3) Obrigada, Pedro, por teres num primeiro olhar, referido esta oposição tão bonita nos dois trabalhos: o enfoque no espaço contra o enfoque dos intérpretes.

4) APPIA, Adolphe, "A obra de arte viva", cit. por GUIMARÃES, Isabel Maria Soares, "Do Espaço da Dramaturgia à Dramaturgia do Espaço", Prova final para Licenciatura em Arquitectura, FAUP 2003/2004

5) Fica apenas uma curiosidade...Como encaixar, em todo este processo "en-cenográfico", a motivação para a colocação dos músicos - nas duas obras - por defeito, à esquerda? A esquerda é de facto o lado dos "affeti"...

6) CRAIG, Edward Gordon "Da arte do teatro", cit. por ibidem

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Acontece este fim-de-semana no Auditório de Serralves, o 1º Encontro de crítica de dança promovido pela Fábrica de Movimentos.

O Encontro promove uma série de conferências e debates, de acesso gratuito, apenas regulado por inscrição. A masterclass Can criticism save the world? por Franz Anton Cramerque desenrola-se pela parte da manhã e é sujeita a um pagamento e inscrição prévias.

A Dança como expressão Biofísica milenar, a ganhar na contemporaneidade um novo equilíbrio Intelectual, sem precedentes. "Provavelmente nunca o entenderei. Mas há algo na dança que falta nas palavras. Amélia Bentes disse melhor em menos palavras: Isto que não pode dizer-se é o que tem de ser dançado. " (2)
E se assim o é - porque o é - como falar sobre aquilo que muitas vezes só consegue ser dançado?

Aguardemos.

(1) fabricamovimentos@hotmail.com

(2) Pedro Jordão in http://epiderme.blogspot.com

17 NOVEMBRO

15H00 – 17H00 "Pontos de Vista"
Joana Providência
Joclécio Azevedo
Luísa Roubaud
Mónica Guerreiro
Né Barros
Tiago Guedes
Moderação: Paulo Vasques

17H15/ 18H45 "A recepção crítica da Nova Dança Portuguesa"
Tiago Bartolomeu Costa

18 NOVEMBRO

14H30/ 16H00 "Outros modelos de relação"
Gérard Mayen
Joris Lacoste

16H15 – 17h30 "Crítica e documentação"
Francisco Camacho
Jeroen Peeters
Mónica Guerreiro
Myriam Van Imschoot
Case study: SARMA e André Lepecki

17H45-19H00 "Vídeo-dança: como a pensar?"
Alberto Magno
Leonel Brum
Sérgio Cruz
Silvina Szperling

19H00 – Encerramento do Encontro

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OBSCENA - Revista de Artes Performativas


Mais uma vez a performance?
Continuo sem saber o que é a performance (artes performativas?), mas prometo-desejo investigar sobre o assunto e trazer algo mais produtivo do que uma referência da wikipédia..fico um tanto-ou-quanto baralhada quanto ao significado, origem e emprego (tão frequente) desta palavra.

Em relação à OBSCENA, nem sei como apareceu na minha vida. Numa pesquisa internética sobre dança penso...e eis que de repente - ! - brota uma quantidade de informação brutal, de uma qualidade e interesse indubitáveis, aliadas a um design gráfico sem falhas. A OBSCENA, revista atenta às "artes performativas, no campo do teatro, dança, performance e também literatura, artes visuais, ou filosofia" (como referido no site) é um documento de divulgação artística nacional e internacional exemplar sem precedente impresso ou virtual igualável, sendo divulgada gratuitamente pela internet desde 2007. Paralelamente explora também o modelo de ensaio-reflexão-crónica-entrevista, muito para além da mera divulgação.

Outro dado curioso é a sua identidade europeia: "A OBSCENA é membro da TEAM Network (Transdisciplinary European Art Magazines), uma uma rede internacional que integra doze revistas europeias: Alternatives Théâtrales e Etcetera, da Bélgica, Mouvement e Stradda, de França, 3xt, da Noruega, Art’O, de Itália, Ballettanz, da Alemanha, Ellenfény, da Hungria, Highlights, da Grécia, a espanhola Exit e a eslovena Maska. Esta rede surge num desejo de abertura internacional, de circulação de ideias e de pessoas, no qual se impunha a constituição de uma rede europeia e transdisciplinar de revistas artísticas. Nasceu por iniciativa da revista francesa Mouvement."

Parabéns a Tiago Bartolomeu Costa pela direcção e vejam o Sétimo Número de Novembro!

Assinem a revista: www.revistaobscena.com

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2º TRAMA - Festival de Artes Performativas


Acontece este fim-de-semana no Porto, de 2 a 4 de Novembro o 2º TRAMA_Festival de Artes Performativas. A não perder, um evento que aposta na deslocalização dos espaços convencionais de representação(acting) artística. Importante pelo questionamento que provoca na redefinição das novas artes do Espectáculo.


"Performance art can be any situation that involves four basic elements: time, space, the performer's body and a relationship between performer and audience" (1)

"Pensado para a cidade em que se inscreve, a Trama constrói uma malha neste território, da Baixa à Boavista, passando pelo Castelo do Queijo, revelando - por vezes devolvendo - novas geografias aos públicos e criadores. Ocupando diferentes espaços – do auditório à sala de estar, do hotel à loja, da praça ao bar e ao parque de estacionamento – a Trama transforma a forma como são percebidos na sua dimensão pública. Instaura a rua como possível palco para a experiência e explora as suas potencialidades performativas e experimentais.Introspectiva, mas também festiva, a Trama vive de dia e de noite.
(...)
As propostas – diversificadas nos seus suportes, protocolos, durações e intenções – questionam o formato e a prática convencional do espectáculo, confrontando-nos com a dúvida, a hesitação, as perguntas dos próprios criadores. A Trama propõe práticas artísticas onde a performatividade se entende actual, actuante e reveladora de imaginários, perspectivas e pensamentos encarados/apresentados numa dimensão aberta e reflexiva. " (2)


(1) http://en.wikipedia.org/wiki/Performance_art

(2) http://www.festivaltrama.org/

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Nous étions là! - Paulo Ribeiro no TNSJ_II

Pela segunda semana consecutiva, fomos bafejados por Paulo Ribeiro. Desta vez, numa dupla interpretativa e coreográfica, sob o nome de "Malgrez Nous, Nous Étions lá!". Título enigmático para uma peça enigmática e etérea, em quase tudo diferente da interpretação a 4 de "Masculine". Deste Elogio ao Amor, ficam as pausas marcadas pelas citações de Gonçalo Tavares, roubadas em momentos irónico-intelectuais em jeito de interlúdio, para uma tanto-ou-quanto bizarra explicação da Dança.. Para quem não leu o "Livro da Dança", fica-se com uma grande vontade em o fazer. (1)

A peça começa com um monólogo (public adressed). Algures nas palavras de Paulo Ribeiro, a expressa vontade de Leonor Keil em não fazer mais uma peça de reflexão sobre o Mundo, sobre Portugal....e também em não retornar aos clichés da tal Nova Dança. "Não vamos ficar parados, enão nos vamos despir, nem vamos ficar em silêncio...(...) Não é por isso, dança contemporânea." Foi apenas e tão somente, Dança, despida de vontades pseudo-intelecto-elitistas. E com Amor, muito Amor.

Como pano de fundo, a dualidade entre o coração e o corpo: "(...) porque é que estou no palco outra vez, qual é o interesse!?!?O coração quer, mas o corpo não acompanha" (2)...Isto é: "malgré nous......nous étions là."


(1) Tavares, Gonçalo (2001) – Livro da dança, Assírio e Alvim

(2) Ribeiro, Paulo in http://www.pauloribeiro.com/

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Ode Triunfal - Paulo Ribeiro no TNSJ

Foi contagiante a energia que os quatro bailarinos da companhia Paulo Ribeiro trouxeram ontem ao Porto. Em estreia na cidade, esteve a peça "Masculine".
Riso, espanto, vergonha, non-sense/total-sense?, num espectáculo onde a interdisciplinariedade e interpretação foram o esqueleto de uma amálgama de situações aparentemente desconexas. Interpretação fantástica de quatro elementos, onde se tocavam e trocavam disciplinas como a Dança, o Teatro de Pessoa, a Música...

Fomos atordoados por eles, apaixonámo-nos por eles, naquele despejar de movimentos e actos. Num imenso gozo informal de quem está alienado do público - por um lado - mas de quem precisa desse mesmo público para continuar...quase ao jeito do stand-up comedy. Definitivamente nada monótona, mas a questionar a monotonia de algumas vidas (?), de rotinas...sublinhadas pelo ostinato de Ravel, numa fantástica versão jazzística de Zappa.

Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Fernando Pessoa, Alberto Caeiro. 4 identidades num mesmo corpo, 4 vidas em simultâneo...o virtuosismo corporal e visceral de Romeu Runa, o classicismo soberbo de Romulus Neagu, a força acrobática de Miguel Borges e a candura de Peter Michael Dietz.

Acima de tudo com Dança, muita Dança.

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Atelier de Renascimento italiano_Catarina Costa e Silva

Concluiu o curso complementar de dança na Escola de Dança Ginasiano em 1993. Fez formação em dança do Renascimento Italiano com Bruna Gondoni e Cecília Nocilli e em dança do Barroco Francês com Caroline Pingault, Cecília Gracio Moura, Jürgen Schrape, Françoise Denieau, Marie Geneviève Massé, Dorothée Wortelboer e Maria José Ruiz. Trabalhou Canto Antigo com Jill Feldmann e Béatrice Cramoix. Em 2003 fundou o Ensemble Pavaniglia que se dedica à reconstituição de repertório coreográfico e musical dos períodos renascentista e barroco. Regularmente, lecciona na ESMAE-IPP Danças Antigas no Curso de Música Antiga (desde 2005), no Curso Superior de Teatro (desde 2000) e na UATIP Universidade Autodidacta e da Terceira Idade, desde 2004). Licenciada em Canto pela ESMAE. Licenciada em História, variante Arte, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Master of Arts em Estudos Musico-Teatrais, na Universidade de Sheffield (U.K.) com a dissertação The role of dance in H. Purcell’s Dido and Aeneas.

Diplôme du cours complémentaire de danse à l’École de Danse Ginasiano en 1993. Elle a etudié la danse de la Renaissance Italienne avec Bruna Gondoni et Cecília Nocilli et, la danse Baroque avec Caroline Pingault, Cecília Gracio Moura, Jürgen Schrape, Françoise Denieau, Marie Geneviève Massé, Dorothée Wortelboer et Maria José Ruiz. Elle a travaillé le Chant Baroque avec Jill Feldmann et Béatrice Cramoix. En 2003 elle a crée l’ Ensemble Pavaniglia en se dédiant à la reconstituition du répertoire choregraphique et musical de la renaissance et du baroque. Elle enseigne, regulièrement, Danse Ancienne à ESMAE-IPP au Cours de Musique Ancienne (depuis 2005), au Cours Supérieur de Théatre (depuis 2000) et à UATIP (Université Autodidacte, depuis 2004). Diplôme de Chant à ESMAE. Diplôme d’ Histoire de l’Art à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Master of Arts - Études Musico-Théatrales à University of Sheffield (U.K.) avec la dissertation The role of dance in H. Purcell’s Dido and Aeneas.

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Estudou música no Conservatório Nacional de Lisboa. É detentora do diploma de professora em Dança Barroca pela Dolmetsch Historical Dance Society; de um mestrado em Dança Contemporânea na Universidade de Paris-Saint-Denis e de um Diploma de Estudos Avançados (DEA) em musicologia pela Universidade de Paris-Sorbonne. Formação em Dança da Renascença Francesa junto das companhias Maître Guillaume e Outre Mesure. Dançou nas companhias Ris et Danceries, L'Eclat des Muses, L’Eventail, Outre Mesure, em espectáculos produzidos pelas Jeunesses Musicales de France e com a Academia de Dança Antiga de Lisboa. Membro de companhia do Théâtre Baroque de France sob a direcção de Marie-Geneviève Massé, foi igualmente convidada como coreógrafa pelo Festival Barroco de Budapeste. Ensina actualmente Danças Antigas em Paris e dirige numerosos estágios para bailarinos e músicos em França, em Espanha, na Áustria, na Itália, nos Estados Unidos, na Polónia, na Bélgica e em Portugal.


Elle a étudié la musique au Conservatoire National de Lisbonne. Elle est également titulaire d’un diplôme de professeur en Danse Baroque de la Dolmetsch Historical Dance Society; d’une maîtrise en danse contemporaine à l’université de Paris-Saint-Denis et d’un DEA en musicologie à l’Université de Paris-Sorbonne. Formation en danse renaissance française auprès des compagnies Maître Guillaume et Outre Mesure. Elle a dansé dans les compagnies Ris et Danceries, L'Eclat des Muses, L’Eventail, Outre Mesure, dans des spectacles produits par les Jeunesses Musicales de France et avec l’Académie de Danse Ancienne de Lisbonne. Membre de la troupe du Théâtre Baroque de France sous la direction de Marie-Geneviève Massé, elle a été également invitée comme chorégraphe par le Festival Baroque de Budapest. Elle enseigne actuellement les Danses Anciennes à Paris et elle dirige de nombreux stages pour danseurs et musiciens en France, en Espagne, en Autriche, en Italie, aux États-Unis, en Pologne, en Belgique et au Portugal.

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Espaço


Terminou este sábado o I Encontro Internacional de Dança Antiga, realizado no espaço Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia. Este espaço inspirador foi uma das grandes valias deste encontro, possível apenas com o apoio da Escola de Dança Ginasiano. Mais informações aqui brevemente. E até para o ano!

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Prospecto_Português

Programa

I encontro internacional de dança antiga

A associação cultural e artística Terpsicore organiza no próximo mês de Julho, de 16 a 21, o I Encontro Internacional de Dança Antiga. Este evento irá realizar-se na cidade de V.N. de Gaia, no Espaço Corpus Christi. O Curso será admnistrado por Cecília Grácio Moura e Catarina Costa e Silva. Apoio: Escola de Dança Ginasiano. Brevemente, mais informações serão aqui dispostas no blog. Até breve!

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